Autor: Hayton Rocha

Onde estão os óculos de “Urtigão”?

Dia desses publiquei neste espaço uma troca de mensagens, sob o título “Urtigão é culpado” (clique e veja), que deu o que falar por duas semanas. Ontem, ao vasculhar meus arquivos, encontrei outra troca de e-mails, em 2005, onde mandava notícias minhas e buscava saber do paradeiro de meu velho e bom amigo ermitão. “… Aos 47, com 99 kg, taxas como a Selic, em alta — triglicérides, colesterol etc. —, com uma preguiça danada de fazer caminhadas matinais no frio seco de 16/18 graus daqui de Brasília, filhos casados (exceto a caçula), toco minha vida com Magdala cuidando do velho Lobão (clique e veja) e...

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Sementes de tangerina

Vinha de longe o hábito de cochilar depois do almoço na varanda do apartamento, deitado numa rede com uma camiseta sobre o rosto, a ouvir o barulho das ondas do mar e, ultimamente, de motores e buzinas na rua, apesar do apelo das autoridades sanitárias para que as pessoas ficassem em casa. Havia uma explicação para o pitstop rotineiro no começo da tarde: todo dia acordava bem cedinho, por volta das cinco. Esperava o sol nascer a flanar na internet em sites de notícias, fazendo anotações ou a garimpar imagens nos álbuns digitais da família.O único barulho que lhe deixava numa aflição inexplicável — coisa de outras encarnações,...

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O Ícaro da hora

Foi logo após a Copa do Mundo de 1966. O pai do menino largara no sofá a revista semanal O Cruzeiro e, curioso, depois de ver a reportagem sobre a vitória do time inglês, achou de ler a última matéria, que o deixou em pânico: “Ícaro, a morte que ronda o espaço”.Ícaro era um asteroide que havia sido descoberto no final dos anos 50 pelo astrônomo alemão Walter Baade (1893 – 1960). Foi batizado assim em homenagem ao mito grego que voou próximo ao Sol na tentativa de fugir da ilha de Creta. A reportagem tratava do possível choque de Ícaro com a...

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De pai para filho, às vezes

Reco do Bandolim (Henrique Filho) é músico, compositor, jornalista, radialista e produtor cultural. Nascido na Bahia, radicou-se em Brasília desde os primórdios da Capital, onde cuida com zelo e talento do Clube do Choro, um dos templos sagrados da música instrumental brasileira.

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Cabeça de mãe

Faltava energia às 10 horas da noite de terça-feira, 26 de fevereiro de 1958, quando ele nasceu na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, em Itabaiana, na Paraíba, berço de grandes artistas como Zé da Luz, Sivuca e onde vive, atualmente, o grande Jessier Quirino. Era uma criança tão feia que assim que a energia voltou o médico foi conferir se por acaso não teria jogado no lixo o pimpolho e deixado a placenta nos braços da mãe que, aos 19 anos, exausta, recuperava-se do esforço sobre-humano feito para expulsar aquela respeitável caixa craniana. Nas 48 horas seguintes,...

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