Um misto de alegria e emoção marcaram o última almoço/degustação, promovido pela Confraria da Cachaça do Brasil, na sede da AABB, no dia 24 de abril.  A alegria ficou por conta der Daniel Duarte, um jovem engenheiro agrônomo que assumiu o controle de produção da Cachaça Orgânica Flor da Gerais, que vem passado de pai para filho há mais de um século.  A emoção foi na justa homenagem prestada ao coronel José Antônio Pires Gonçalves, falecido há cerca de dois meses, produtor da premiada cachaça Alma Gêmea, nome escolhido por ele para lembrar que a bebida muitas vezes é companheira na adversidade, na alegria, no frio ou no calor.

 

Um dos fundadores e ex-Presidente da Confraria da Cachaça, José Bonifácio dos Santos, Boni, que foi amigo pessoal do coronel Pires Gonçalves, com quem viajou a Lisboa, Portugal, para inaugurar a Confraria naquela cidade, lembrou momentos marcantes de sua vida, inclusive com a perda precoce da filha e principal incentivadora de seu trabalho.  Todo começou nos anos 90, quando já reformado se dedicou a agricultura e pecuária, em Planaltina de Goiás.  Em 2003, ele ganhou de um amigo um velho alambique e o desafio de produzir cachaça.

 

Peão na unha

 

Como ele sempre dizia que era homem de pegar “peão na unha” aceitou o desafio. A perceber que os primeiros litros não saíram com a qualidade que espera, passou a comprar equipamentos mais modernos e se debruçar sobre livros e revistas técnica até apurar a qualidade de seu produto que atingiu a marca de 35 mil litros por ano. Já em 2009 ganhou prêmios internacionais de degustação  e ousou em produzir o rum Barão do Cerrado. Seus produtos foram premiado nas com medalha de Bronze, em 2009 e medalha de Ouro, em 2010, em San Francisco Spirits Competition, nos Estados Unidos.

 

Atualmente seus alambiques não funcionam mais. Antes mesmo de seu falecimento ele já havia desistido e retornado, com a mulher, ao Rio de Janeiro. Além da idade, outra razão foi a perda da filha, seu braço direito. Foi em uma degustação da Confraria da Cachaça que o coronel Pires Gonçalves, com lágrimas nos olhos, anunciou sua decisão de “parar as máquinas”. Foi quando ele disse que “toda cachaça retrata as pessoas envolvidas em sua produção – seja na concepção da embalagem, seja na manufatura e na qualidade do destilado. Ou seja, a bebida é de fato sua Alma gêmea”.

 

Flor das Gerais

 

Passado este momento quando foi erguido um brindo ao coronel seguido de aplausos, de pé, o atual Presidente, Orfeu Maranhão,  convidou o proprietário da Cachaça Orgânica Flor das Gerais, Adão Duarte, para apresentar seu produto que estava sendo degustado, com aprovação pelos confrades. Ele “passou o bastão” para o filho e Diretor de Qualidade da cachaça, produzida na fazenda Mourões da Porteira, nos arredores de Felixlândia, cerca de 190 quilômetros de Belo Horizonte.

A cachaça orgânica Flor da Gerais utiliza, em toda sua elaboração, produtos naturais como adubos  no cultivo da cana  e fubá de milho durante a fermentação. A destilação é realizada artesanalmente em alambiques de cobre usando o “coração” da cana, destinado ao envelhecimento em dornas e tonéis de Carvalho, Jequitibá Rosa e Amburana. Com esse perfil de produção que aFlor da Gerais foi considerada pelo Instituto Mineiro de Agropecuário (IMA), a quinta cachaça orgânica do mundo com selo de salubridade e qualidade.

 

A cachaça é apresentada de três formas: “Blend” uma combinação das cachaças envelhecidas no Jequitibá Rosa e na Amburana. Esse “Blend” uniu a leveza de uma com o adocicado da outra, resultando uma bebida leve, de paladar macio e cor amarela; “Carvalho”, tornando destilado mais encorpado, com aroma peculiar e paladar mais forte e de cor dourada; e, “Jequitibá”, mais suave e  transparente.

 

O presidente Orfeu Maranhão entregou, ao final, o Certificado de degustação da Confraria da Cachaça, atestando a qualidade do produto, seguido do brinde, “cachaça de qualidade” e todos respondendo orgulho do Brasil”, repetido por três vezes.

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Assessoria de Imprensa da Confraria da Cachaça do Brasil